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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Vamos ás compras ? # jogos de família

As coisas doutros tempos, já se sabe, são uma paixão que tenho ...Então se tiverem lindas ilustrações e dêem para jogar com a pequenada cá de casa, perfeito ! As idas à feira da ladra têm destas pequenas , mas grandes surpresas. É que este tem sido o jogo preferido e repetido destes novos fins de tarde, mais escuros e frios e já passados no quentinho da nossa sala. Entre muitas outras invenções e animações  das duas irrequietas, aventureiras e criativas miúdas cá de casa. Agora que a maiúscula já sabe ler e que está no espírito da coisa ( esta semana ainda não ligámos a televisão iéeeeeeeeeeeeeeee) vou então tirar da prateleira o outro jogo, o meu jogo,   aquele que também joguei vezes sem conta e que agora vai fazer todo o sentido.





Entretanto estive a tentar pesquisar  pela data deste jogo, mas infelizmente não encontrei nenhum tipo de informação . Uma boa ideia seria eu conseguir catalogar todo este universo MaJora....Alguém me ajuda? ( as fotos são de minha autoria)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Momento obrigada universo , de seu nome Júlia

Há precisamente dois anos tive a noite mais memorável na minha vida. Obrigada minha filha, por aqui chamo-te minúscula, mas bem sabemos que és gigante <3.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sobre a morte #livros infantis ( para todos)

Aqui estão eles. Dois livros que abordam, aquele tema tabu, que ninguém gostaria ter que falar ( sobretudo a crianças, como diz na peça o Miguel Fragata) : a morte, mas com naturalidade, com sensibilidade, sem camuflar a sua importância ou aligeirar a dureza do mesmo. Tudo é dito sem dizer.  São livros de uma beleza incrível e que nos podem ajudar a aceitar que a morte é uma inevitabilidade e que por isso mesmo temos é que viver esta vida com tudo aquilo a que temos direito. São pois livros sobre a vida, com o melhor que ela tem: Felicidade, experiência, aprendizagem e herança, amor e família, onde os dias de despedida tristes e cinzentos se pintam de luz. São livros cheios de poesia e sentimentos, sobre a realidade que afinal não é infinita nem eterna, contados com imensa delicadeza. Afinal, estes sentimentos de dor, tristeza, amor e saudade fazem parte das nossas vidas, "só" precisamos é de aprender a lidar com eles. São livros para crianças, mas tenho a certeza que vão emocionar muitos adultos, que se vão rever tanto nestas relações com os nossos próprios avós. Não tenho qualquer vergonha em dizer que a mim, me fazem chorar. 


O Anjo da Guarda do avô, por Jutta Bauer da Gatafunho  A Avó adormecida, por Roberto Parmeggiano e João Vaz de Carvalho da Kalandraka


Quis a vida e o mistério da morte, que enquanto escrevo e organizo o post, que a minha querida amiga, com o qual estava a falar precisamente sobre isto que é o mistério da nossa "hora", recebesse a mais triste das notícias, que o seu avô morreu, partiu. Joana, este post é dedicado ao teu avô. E a ti claro, um abraço.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Tenir le temps

Outros tempos. Tenho uma maravilhosa lembrança (e são tão poucas) de quando era miúda, de me levarem pela mão ao São Carlos, a ver o Quebra nozes. Lembro-me de ter ido arranjada ,certamente com um vestido especial, bem penteada e dos olhares carinhosos que cruzaram com os meus , gigantes de sentir que estava num sítio mágico e especial. Lembro-me também de ter gostado do espectáculo e querer que me voltassem sempre a levar ali. Também me lembro de ir ao Tivoli, com a minha avó para ver o Bambi no cinema e de sair de lá a chorar baba e ranho, Avenida da Liberdade abaixo. Outros tempos. Agora a oferta cultural (para crianças) é muito mais diversificada e ainda bem que existem alternativas aos grandes clássicos. Também acredito que existe uma maior vontade dos pais estarem e fazerem programas alternativos com os seus filhos. Curioso, parece que foi há já algum tempo ( como é relativo o tempo desde que sou mãe , ou será que é mesmo dos 40 ? ops) mas deve ter sido no máximo há uns dois anos,  ela, a mais velha, ficar de boca aberta a ver os bailados no canal Mezzo e depois a dançar e dançar. O seu preferido era o pássaro de fogo. Foi duas vezes ao ballet mas não gostou (aquilo não era nada livre para uma miúda de 4 anos que só queria era improvisar) e entretanto descobriu o canal Panda e pronto..... Outros tempos. Mas ora bem, quis o destino ( aliás foi mais um amigo que nos convidou) que ontem fossemos ver estrelas  a Belém e depois comer uma torrada ao CCB. Como a mais nova é na verdade um pássaro de fogo e não pára quieta , trouxe-me numa das investidas um papel com uma fotografia linda dum bailado que irá acontecer para o próximo fim de semana. Maiores de 6 anos ? Perfeito.Para primeiro espectáculo que vamos levar a miúda a ver, não me parece nada mal.


Depois, logo se vê, mas gostávamos que ela tivesse aulas de dança livre, se ela estiver para aí virada , que a natação agora que já sabe nadar é tão 2014. Estão livres de deixarem por aqui as melhores sugestões ( se é que as há...)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Memórias de alguém

Enquanto ele se perde nos negativos - e então se ontem encontramos registos maravilhosos e surpreendentes que mais cedo ou mais tarde estarão nas Sombras de alguém,  eu vasculho todos os papéis e cartas e outros registos que fizeram parte da vida de alguém que viveu noutros tempos e realidades.


Ontem perdi-me em livros de bebés totalmente preenchidos, com pedaços do primeiros cabelo, fotografias e registos dos primeiros pormenores da sua vida e até um excerto do cordão umbilical, mais cartas de amor e uma folha solta com um recado que não me cansei de ler e reler e sorrir.....Gostei tanto que a senhora mo ofereceu ! ora deliciem-se lá com o detalhe e a graça desta mensagem.
 

Já agora, alguém entende o que elas querem dizer por tirar fotografias na "get" ? Agradecida

terça-feira, 4 de março de 2014

HIstórias com tempo # Carnaval

Estas fotos têm cerca de 30 anos de diferença entre si e entre outras 30 entre o dia de hoje. Há 60 anos no jardim de casa dos meus avós , o meu pai mascarava-se de velhinha. Há 30 anos a minha irmã vestia a mesma máscara usada pelo nosso pai, no terraço dos meus outros avós. Lembro-me da peruca ainda existir, mas de já não se servir. Hoje , vou ao baú em casa da minha mãe e espero ter a surpresa de ainda servir a alguma das 3 pequenas....


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Uma história, que também é a minha , dum bebé de seu nome, Paulo

Quando menos esperas,  abre-se uma gaveta do tempo, que te leva a viagem extraordinária com mais de meio século, cheia de registos escritos, desenhados e fotografados, que me comove a cada caderno que se abre, onde me é apresentado desde o seu primeiro instante o meu pai- que no fundo, nunca cheguei a conhecer...O que mais me impressionou foi a quantidade de pormenores que se gravou e guardou, sendo que ele foi o décimo e último filho dos meus avós. O seu livro do bebé para além de ser lindíssimo tem detalhes maravilhosos como, como foi o seu primeiro passeio, quando sorriu pela primeira vez, até tem um recorte dum jornal da época a noticiar o seu baptizado...


 Os primeiros desenhos são absolutamente deliciosos e até os passes do comboio, do qual ouvi contar muitas histórias, estão impecáveis. Depois são os cadernos da escola, com toda a informação comportamental, social e moral que é exemplar na pré-primaria, mas que começa a tornar-se uma problema na primária sendo que o menino não se aplicava e era distraído, apesar de falar bem o francês .


Mesmo que ainda fique demasiado ainda por saber, estes pedaços de memória que não passam de papéis, confortam-me  e consolam-me o vazio duma maneira que poucos compreenderão. A versão original da história está aqui, sem as palavras e sobretudo os sentimentos à mistura e por isso é nelas que quero confiar. O que já lá vai. lá vai e o que aconteceu na realidade já não me interessa para nada. As próximas fotografias são por isso mesmo importantes, porque afinal eu nasci fruto do Amor que houve entre o meu pai e a minha mãe. E ainda por cima estão aqui todos...
Depois , com vinte e poucos anos deu-se também o 25 de Abril, que acabou por ser uma revolução nacional e no seio desta família. Pelos vistos o meu pai teve aí o seu papel e isso deixa-me , para além de surpreendida por só o saber passados 40 anos, mas extremamente orgulhosa e de novo comovida.
Eu também nasci neste ano e infelizmente não tenho memórias desses tempos, daqueles em que todos fomos felizes. O fim desta história não é feliz e aconteceu demasiado cedo,mas isso agora não interessa para nada, quando se desenterrou e descobriu este pequeno tesouro. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pequenos nadas

Sou uma pessoa que valorizo todos os mais pequenos pormenores do quotidiano, sejam eles palavras, frases, gestos, momentos e é por isso que hoje estou triste. Uma das minhas vizinhas velhotas, aquela que falava com os gatos e dava de comer aos passarinhos , mesmo tendo envelhecido extraordinariamente no último ano, sempre, mas sempre que me via à janela perguntava pela minha Laurinha. Queixava-se da solidão dos dias e do abandono por parte dos filhos e eu ficava sempre com o coração apertado do outro lado dos jardins que nos separavam. Já me tinha apercebido que a janela nunca mais se tinha aberto e até tive para ir lá tocar à campainha, mas não foi preciso...hoje percebi que ela já não mora ali. Mora uns andares mais acima, junto ás estrelas. A vida é feita destes pequenos nadas, mas são estas pessoas que a tornam grandiosa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

I Love Baby-slings

Não, Não estou com pressas, tanto mais que viver uma gravidez pela segunda vez é toda uma nova aventura onde emoções são sentidas de um modo totalmente diferente, mais consciente e maravilhoso. Mas no outro dia lembrei-me de como vai ser bom voltar a usar o sling, que a mais velha adorou e usou até bem tarde (que é como quem diz que já pesava demasiado). Foi a melhor descoberta que fiz em toda a gravidez e deu-me um jeitaço em todas as ocasiões, sobretudo nas férias (pois usamos praias de difícil acesso) e passeios (onde o carrinho rapidamente perdeu pontos em prol da praticabilidade e portabilidade do dito pano). Também já me tinha lembrado destas fotografias, mas acabou por ser um episódio que me aconteceu ontem que me levou a escrever hoje e a partilhar estas lindas (modéstia à parte) imagens e momento.
 Estava eu a passear com a miúda pela Baixa, quando ela resolveu parar para assistir a um daqueles espectáculos de rua (diga-se de passagem que o rapaz era mesmo um verdadeiro  artista) e foi nessa altura que os meu olhar se dirigiu para duas freiras que estavam precisamente no lado oposto ao nosso, mesmo de frente. Ao lado delas estava um padre também de meia idade, de batina e (pasmem-se todos) com um bebé  ao colo num sling....Não vos consigo descrever a sensação, mas que estava a causar alguma (apesar de ás tantas ter percebido que se começava a incomodar com tantos olhares indiscretos) era evidente. Algumas pessoas não ficavam indiferentes e  iam mesmo falar com ele ( qual seria a história....?- a minha fiz logo na cabeça ) e já eu amaldiçoei-me  só me lamentava por não ter comigo nenhuma máquina fotográfica e muito menos um aparelho telefónico digno de captar para sempre, aquele instantâneo que nunca , mas nunca irei esquecer. Fica aqui o meu registo e a saudade /vontade de voltar a ter um bebé aconchegadinho a mim...

as fotografias foram tiradas em Outubro de 2010, no Meco, pelo Filipe Bonito

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O jogo das boas maneiras

As coincidências têm destas coisas...embalada pelos últimos post dedicados ás crianças  (livros e ilustração) e no seguimento da miúda lá por casa ter agora descoberto os jogos de tabuleiro em família, lembrei-me de ir buscar ao sótão o mais maravilhoso , delicioso e educativo jogo de todos os tempos. Quando era pequena, eu e a minha irmã jogámos vezes sem conta e tenho a certeza que aprendemos e muito com ele. As frases e as imagens ficaram e as boas maneiras também. Vamos tentar jogar com ela, apesar de não saber ler tem bastantes imagens e a ver se começa a interiorizar , também a brincar, o respeito pelo próximo e a boa educação. Valores que prezo acima de tudo e que infelizmente tendem , esses sim a estar em crise e atenção que nem a crise nem absolutamente nada é desculpa para isso acontecer- desabafo num dia em que me conseguiram tirar do sério . mas como isso agora não é para aqui chamado, ora espreitem....



temos que começar a investir mais nisto dos jogos, pois já estamos um pouco fartos de jogar sempre aos mesmos 2 ou 3 que ela tem, por isso e porque já devem ter percebido os meus gostos, aceito sugestões ! sendo que estamos actualmente apaixonados pela gama dos Orchard toys  o que gostaria mesmo era de encontrar preciosidades como a gama dos jogos educativos despertar....

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Do fundo do baú

Estas peças de roupa também vieram dum baú e vão-se juntar aos meus vestidos, de quando deveria ter esta idade.  

Já achava maravilhoso que a minha filha ainda tivesse o privilégio de vestir os mesmos vestidos que foram costurados pela minha avó há 40 anos, para mim e para os meus primos, 


mas saber que estes devem ter 70 anos e estão tão impecáveis, é um pequeno milagre (para quem como eu é apreciadora de detalhes e de histórias de outros tempos. Paulo é o nome que está bordado no bibe azulão. Paulo foi o meu pai, que foi o último de dez filhos a vestir estas preciosidades.  Agora lavo-os e coloco-os ao sol, que são para a Pilar. a neta mais nova da filha mais nova do meu pai.
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Hora da estrela

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

E a partir de hoje vou matar saudades de ti, Clarice Lispector....Numa inesperada e excitante novidade mesmo aqui ao pé de mim....Depois conto tudo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma História aos Quadradinhos

Quando a minha avó morreu ninguém se chateou. Quando a minha avó morreu não precisei de partilhar a sua manta de retalhos com mais ninguém. É só no verão que me cobre a cama e é como se voltasse a estar com ela, na cama azul de ferro, no quarto das flores rosas, no fundo do corredor da sua casa, a ouvir todas as suas histórias... Ainda no outro dia falava dos livros de crianças pouco memoráveis e no entanto descobri o mais valioso de todos, pois toca-me no sítio certo de tão pessoal, bonita e simples que é. A Manta....

Já repararam no quadrado azul com os frutos rosas e laranjas ? era dum vestido da minha tia ....

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Histórias do minha antiga casa, rua , bairro

Histórias da minha casa, rua, bairro #1 (Maio 2007) A minha vizinha de baixo, a tal que dorme por debaixo da minha casa-de-banho, é velhota. Tem uma prótese na perna. Vai a todas as excursões. Todos os dias desmonta e pendura a cortina de plástico da banheira no estendal . Tem um namorado que lá dorme ocasionalmente e se despede dela a mandar beijos e mais beijos até a perder de vista na esquina. É a Berta.

Escrevi este texto, no meu blogue anterior, há mais de 5 anos, quando ainda morava no outro bairro, rua, casa.Voltei a falar na D. Berta, a minha velhota preferida com os seus maravilhosos 85 anos algumas outras vezes e no seu namorado também, aquele que se despedia dela a enviar beijos até tornar a esquina. Hoje soube que ele morreu há cerca de 5 meses ou como ela me disse hoje cheia de lágrimas, nunca mais cá apareceu....

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Rua de Damão, 2


Hoje passei pela casa dos meus avós, que já não é a casa dos meus avós. Hoje chorei ao lembrar-me de cada instante que passei nesta casa, desde que nasci até ao dia em que o meu avó partiu.  Hoje percebi o quanto esta casa e este quintal e este jardim me fazem falta . Hoje senti que esta é que foi a minha casa e onde eu mais amada me senti. Hoje fui ao jardim mas já não pude entrar....e no entanto foi para lá que os meus avós se mudaram, no dia em que a minha mãe fez 18 anos e por causa das confusões se esqueceram dela. Foi lá, que foi anunciado o noivado dos meus pais. Foi lá, que a minha avó me deu colo. Foi lá, que subi ás árvores com os meus primos. Foi lá, que colhi as melhores ameixas que já comi. Foi lá tantas e tantas histórias ouvi. Hoje fui à casa dos meus avós, mas não pude entrar pela sala com a televisão aos altos berros, passando pelo presépio que a minha avó fazia com tanto carinho e cuidado, espreitando pela chaminé da lareira se a mesa já tinha sido posto, correndo pelo corredor sentindo o cheiro a bacalhau e e a fritos, abraçando a minha avó atarefada na cozinha, guardando os presentes no quarto dos jogos, espreitando á procura dos presentes no roupeiro do quarto dos avós, esperando ansiosamente pela chegada do Pai Natal no quarto das palmeiras, ficando lá a dormir no quarto cor-de-rosa, na cama de ferro pintada a azul, por debaixo da manta de retalhos, rezando ao anjo da guarda que espero os tenha aconchegado bem, no dia em que tanto me fizeram falta. Hoje passei pela casa dos meus avós, estava tudo lá, menos Nós....e dói.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

It's my party and i cry if i want to

Hoje faço anos , precisamente agora. E especialmente hoje quero ser bajulada, mimada e adorada, é que estou meio que a passar pelo meio duma pequena crise de meia idade. Sim eu sei que era dispensável mas também sei que a coisa se vai compor, numa questão de tempo. A questão do tempo e como ele nos foge, é que é A grande questão. A sensação que estou parada num tempo e que  já não vou a tempo de viver tudo o que ainda queria viver. A sensação de me estar a perder e sobretudo a ficar para trás. A sensação que nunca vou perceber aquilo que me deixaria partir daqui absolutamente satisfeita. A sensação que estou na eminência de uma vez por todas, ganhar coragem e força de vontade para não me deixar só estar, porque como estou agora não estou (nada) bem. Preciso portanto de ajuda e de todos os empurrões necessários para sair deste meio termo, deste limbo desgraçado para onde nos empurram diariamente, desta inércia e deste peso pesado que me começa a pesar no coração e na respiração. Não queria voltar atrás, mas queria sentir-me mulher como me sentia antes de ser mãe. É isso, vamos aos pedidos: Queria ser mais corajosa e audaz, queria recuperar  a auto-estima que perdi quando ganhei demasiado peso, queria não "me" compensar na comida e não ser tão gulosa, queria não mais procrastinar, queria ser capaz de enfrentar os fantasmas do passado, queria ser uma pessoa segura (confiante até sou), queria conseguir gerir as minhas emoções, queria ser melhor mãe, queria voltar a ser a mulher amante e apaixonada, queria deixar de me preocupar tanto com o que os outros dizem, não dizem, pensam ou deixam de pensar, queria conseguir gerir e meu tempo e não panicar à segunda contrariedade, queria que as pessoas me respondessem quando chamo por elas, queria ter mais amigos, queria não ter a mania da perseguição, queria estar bem comigo, queria não ter tanto medos, mas hoje e sobretudo hoje só quero ser adorada....O resto, logo se vê. só espero estar cá para vos contar como foi


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

NY, i f#$%&/%$ miss you !

Isto de estar a mexer em mapas e em memórias tem muito que se lhe diga. Pensei que te tinha  "enterrado" quando me apercebi que não havendo possibilidade de conhecer o mundo todo, regressar a um sítio (caro, sobretudo) estaria fora de questão. Engano, e se já fui mais que uma vez  a Amesterdão, Veneza, Madrid, Barcelona, porque não hei-de continuar a sonhar contigo? Dei por mim e percebi que continuo cheia, mas cheia de saudades de Nova Iorque e que ela me está a fazer uma falta dos diabos...sobretudo agora e sobretudo com ele a meu lado.
 

As fotos são de Andrew Mohrer e podes ver muitas mais, aqui.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

25 Outubro 1949

Hoje o meu pai faria, só,  63 anos. Mas morreu mesmo antes de chegar aos 50, mesmo antes de nos ver crescer, mesmo antes  de ouvir  tudo o que ainda tinha para lhe contar,  mesmo antes de perceber que na vida não se ama só uma vez, mesmo antes de o conseguir ajudar, mesmo antes de saber que as suas  fraquezas me tornaram muito mais forte, mesmo antes de conhecer o grande amor da minha vida, mesmo antes de conhecer as luzes da minha vida que são as suas netas,  mesmo antes de ver as minhas obras feitas, mesmo antes de me conhecer, mesmo antes de partilharmos uma vida, mesmo antes de te dizer: Amo-te.

Um dia # (pode ser amanhã?)

A culpa não é do Outono, mas dos dias que encurtam e ficam mais cinzentos e frios. Seja o que for, é costume esta altura do ano despertar em mim sentimentos contraditórios que me confrontam com tudo aquilo que gostaria de ser e de fazer. São demasiadas vontades, sonhos e desejos, deixando-me igualmente feliz mas também um pouco deprimida e perdida…Ando naturalmente mais sensível e intrometida nos meus pensamentos confusos, tentando descobrir o segredo para o meu equilíbrio. Se não pensasse muito e deixasse que fossem as minhas vontades a guiar, só queria poder sair daqui de quando em vez, perder-me nos xistos e nos riachos, nas florestas e no barro, nos velhos e nos novos, nos prados e no silêncio, no sujar as mãos e em andar descalça, na horta e nas conversas, em cozinhados e lãs e bordados, nos tanques e nos pomares, na lareira e simplesmente estar enrolada contigo sob a manta de retalhos, nos sons dos vinis riscados e a contar-lhes histórias, nos baloiços improvisados e em cima da carroça, nos cheiros da nossa terra, doces e salgados, nos contos e saberes tradicionais, nas cores do Outono, nos moinhos de pão e de água, nos bons dias, boas tardes e boas noites, sentidos…Queria não estar aqui, estar aí contigo e com os nossos filhos, quando o tempo deixasse de o ser. Queria estar aí. Na minha terra, na terra de ninguém, na terra que não tenho. Se eu tivesse, se eu pudesse, se eu conseguisse, se eu não pensasse. Vou, vamos, um dia destes...?

Bernardo Sassetti- Epílogo: Amanhã

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Teardrop

Sou uma lamechas é verdade. Hoje e devido ao facto de a chuva ser mais que muita ,me recusar a ir de carro para o trabalho, porque é aqui ao lado e o estacionamento sai mais caro que ir e vir de táxi e sobretudo porque as calças impermeáveis para conseguir andar de mota deixaram de me servir, fiz algo que já não fazia há demasiado tempo- fui de transportes e isso deixou-me cheia, mas cheia de alegria...tem piada que ainda antes de sair de casa e experimentar as malditas calças (xs....) pensei, ou melhor lembrei-me que acho que era bem mais saudável (se bem que fumava) antes de ser mãe, quando deveria ser precisamente o contrário, mas por motivos que várias mães conhecem demorei um pouco mais que o costume a recompor-me. Sendo que o peso esse está bem longe do que já foi. Mas foi ao fazer exactamente o mesmo percurso  que fazia há 4 anos atrás, autocarro acima e metro abaixo, que me emocionei. Sou uma lamechas é verdade, mas hoje fui  e disto tenho a certeza, transportada para aquele inesquecível tempo em que carreguei a minha filha ao ventre. Consigo explicar esta emoção única porque, talvez tenha sido o único lugar onde ainda não tinha regressado, que fazia com prazer e onde tinha com ela um momento, aliás um instante singular: Quando descia ou subia o elevador sozinha, metia a mão na barriga e cantava (porque o som era reverberante)  alto e bom som, as batidas do Teardrop dos Massive attack, quase sempre seguidas de doces pontapés . Tenho a certeza que um dia te lembrarás, pois sentia que era aquele momento só meu e teu, que tal como o cordão nos ligaria para sempre. A música está a tocar aqui e agora e eu tenho que parar. Pausa. as lágrimas caem e se fechar os olhos estou nesse não-lugar só meu e teu. Isto veio despoletar um desejo, bastante profundo senão mesmo enterrado, em voltar a engravidar. As dúvidas são ainda mais que as certezas por isso fico por agora, por aqui. Por Agora  o aperto e a saudade de recordar algumas das músicas que fizeram parte de toda a gestação até ao dia do parto: Nude- Radiohead + O sossego- Rodrigo Leão+ Hoppipolla- Sigur Ros+ Caminho até aqui- Bernardo Sasseti+  Spiralling- Antony and the Jonhsons + I found a reason - Cat Power