Há muito anos atrás foi-me dito que iríamos passar por uma fase complicada, em que todos lá por casa teríamos que nos sacrificar um pouco, para um bem maior. A minha mãe deixou o país, durante dois anos, à procura dum
futuro e duma segurança melhor para o seu e nosso futuro. Deixou cá as suas
filhas adolescentes, numa altura em que era tão importante ter estado a meu lado,
como aliás são todas as alturas na etapa de crescimento do filho- é que para mim não existe absolutamente
ninguém que substitui um pai e uma mãe. Foi muito difícil para mim e deve ter
sido mais para ela, que sozinha procurava assegurar a garantia do futuro, longe
das filhas e sem estar ao lado dos seus pais numa altura em que também eles
precisavam- não imagino como deve ter sido para ela receber , sozinha, a
notícia do falecimento inesperado da minha avó..Mas era um mal necessário para
um futuro certo, diziam-me constantemente. Só podia acreditar, a muito custo,
que sim. Foi duro, demasiado, mas hoje dói mais que nunca pois verifico que foi
tudo em vão…. Se na altura me custou, hoje a revolta é ainda maior. Nada, mas absolutamente nada nesta vida é garantido. Passamos a
vida, uma vida, a sacrificar-mo-nos: os nossos sonhos, pelos nossos filhos,
pelos nossos pais, por nós e pelos outros, mas hoje e com toda a certeza do
mundo acredito que o que damos por garantido hoje, não é certo amanhã. E é também
por isso que escolho ficar. E é por isso que me custa ouvir as pessoas a
dizerem que só querem sair daqui. E é por isso que me dói sempre que alguém
sai. Acho que desde que me conheço que vivo em crise, sou precária desde sempre e para sempre, e antes de mim foram os
meus pais e os meus avós, por isso confesso que todo este desespero, este passa
a outro e não o mesmo, já me cansa. Precisamos de soluções sim, mas ninguém nas
dá, limitam-se a empurrar para os outros as responsabilidades que são de todos. É, e sempre foi
muito mais fácil acusar e atirar pedras, que dar a mão e ajudar a levantar.
Cansam-me as notícias que só mostram o pior que por aí anda, e por isso deixei de as ver (não deixei de alguns ler jornais) . Cansa-me ainda ver muita
gente que se queixa, mas vai-se a ver, falam de barriga e boca cheia, bah! Não
podemos estar à espera que os outros resolvam os nossos problemas, e muito menos que façam o nosso trabalho. Não conto com
ninguém e deixei de acreditar em tudo, mas isso não significa que baixe os
braços- apesar de ter tido muita sorte ao longo de todo o meu percurso, já
sobrevivi a muitas limitações porque nunca esperei que fossem os outros a fazer
o meu trabalho. Gritei no outro dia, como grito desde sempre, porque cedo percebi que nada do que tenho é garantido. Estou perdida e baralhada há demasiado tempo, por isso o melhor
que tenho que fazer, mais uma vez, é "desligar" e esperar (mais uma vez) que a
tempestade acalme e a poeira assente, num dia de cada vez. É que só vivemos uma vez e na verdade sabemos lá o que para aí vem amanhã. Chamem-me ingénua ou
comodista, mas para mim sair da minha “zona de conforto” não significa sair do
meu país. Para mim isso seria o verdadeiro sacrifício. Eu não quero sair daqui,
porque é aqui que gosto verdadeiramente de estar. Senão posso estar em toda a
parte é aqui o meu lugar. E vou tentar viver um dia de cada vez, porque já percebi que o futuro é apenas hoje.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Pausa para PUBlicidade
Ideologias à parte, as revistas panorama que herdei são uma constante caixinha de surpresas. Se antes já por aqui tinha deixado as lindíssimas ilustrações para as Águas Vidago, agora é a vez destas maravilhosas fotografias da época que mostram os postos de abastecimento da MOBIL, que ainda hoje se localizam no mesmo lugar, sendo que os verdes deram lugar ao cinzento do betão. Desde os carros, ao vestuário das senhoras, ás fardas dos empregados, de norte a sul do país, a simplicidade das formas, a arquitectura e o design da marca, tudo me parece digno de ser partilhado.Ora vejam e choram lá por mais...
uns saiem para comprar, outros para gritar
Eu sei, muitas das vezes falo primeiro e só depois penso
depois. Eu sei, não somos todos iguais. Eu sei, não se deve meter tudo no mesmo
saco. Eu sei, não se deve generalizar. Mas não consigo, não estar profundamente
indignada e chocada com aquilo que acabei de assistir- nota importante:
sobretudo nos tempos que correm, que é para não me acusarem já de ser
preconceituosa. Não, não me refiro á entrevista do PM, que nem preciso de ouvir
para saber que vai ser mais do mesmo e onde basicamente ele só está a falar
para se ouvir, em vez de falar para mim e todos nós. Eu sei, nem tudo o que
parece é. Refiro-me a um acontecimento da moda, que está neste momento a entupir as ruas
do centro da cidade e aqui do bairro. Desculpem mas para mim é demais. Eu bem
sei que não vem tudo ao mesmo, eu bem sei que quem pode, pode. Mas eu quero (aliás, preciso) mesmo de acreditar que estes milhares de pessoas que andam aqui a passear nas ruas, de copo na
mão e sacos na outra, entrando porta sim porta sim, não sejam aquelas que se queixam diariamente ,
linkam todas as horas os textos do
momento, que só falam em sair daqui e que dizem que vão á manifestação de
amanhã, são os mesmos. É que não podem-é que para além de não lhes ficar bem,
não combina…. Eu sei, não devemos ficar fechados em casa a lamentarmo-nos de
tudo. Eu sei, o dinheiro precisa de circular. Eu sei, as pessoas precisam de
trabalhar. Mas estas megas produções, com disco jokeys porta sim porta não, com
bebidas a 5 euros, com acessórios e pechisbeques que até podem ser o máximo mas
pouco ou nada servem e são (mesmo) caros, servidos nestes tempos tão conturbados,
mas sobretudo hoje, choca-me. Eu sei, só está aqui quem quer e nem todos estão
ao mesmo. Mas custa-me passar o dia a ler notícias e comentários de pessoas que
estão a (sobre)viver no limiar do que é aceitável e depois á noite ver todo este (pseudo) glamour. Na mesma
cidade, no mesmo dia. Eu sei, e espero que não sejam as mesmas pessoas. Se forem,
para além de estar tudo explicado só digo: tenham vergonha. Mesmo que não sejam,
sinto-me mal por assistir a tamanha desigualdade social. Eu sei, há coisas que
não se devem comparar. Mas hoje calhou e caiu-me mal. É que para mim, viver
numa sociedade em que é o tudo ou nada, onde uns têm tudo e outros quase nada,
é para mim perturbador e inconcebível...
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
da crise (de valores)
Custa-me. Custa-me ouvir as pessoas a
desacreditarem naquilo que temos, bom ou como neste momento temos, mau.
Custa-me assistir a todos aqueles que estão a partir. Custa acreditar que as
coisas não vão melhorar. Custa ouvir todos a atirar culpas a todos e á falta de responsabilização. Custa ouvir quem se foi embora, dizer que os que cá
estão têm que se revoltar. Custa ouvir que este país tão maravilhoso, é só para
passar férias.Custa-me a passividade e a mentira. Custa que este custo continue a ser desigual.Custa mesmo estar desempregado, mas o preço a pagar pela
passividade e a acomodação é bastante maior. Custa perceber que uns são filhos
e outros são enteados. Custa arregaçar as mangas e trabalhar no duro. Custa perceber que muitos ainda vivem acima das suas possibilidades e (agora) ainda têm a lata de se queixarem. Custa
ouvir quem não está cá a dizer que nós somos passivos e gostamos que nos passem
a perna. Custa abandonar a família e recomeçar entre desconhecidos. Custa
perceber que as pessoas estão tão descrentes, que acham que já nada mais vale a
pena. Custa ouvir demasiada gente a dizer que só quer fugir daqui. Custa saber que por aqui há tanto, mas tanto para fazer mas o medo de
avançar é tanto que acabamos de braços cruzados. Custa ouvir dizer que temos fazer sacrifícios a troco de nada. Custa esta indefinição. Custa-me viver neste mundo rodeada de egoístas e de pessoas que não sabem o que é o respeito pela vida e pelo próximo. Custa acreditar que as coisas não vão melhorar....
terça-feira, 11 de setembro de 2012
tha's what friends are for,
for good times and bad times,
mas não a tempo inteiro...
mas não a tempo inteiro...
Acho que acabei de perceber tudo. O motivo
pelo qual eu não tenho (mais, para não ser de todo injusta) amigos…. Não dizemos coisas para não magoarmos e no
entanto são precisamente essas coisas por dizer, que criam vazios e que nos vão
afastando cada vez mais. Acho que para me proteger de me magoar
constantemente em desilusões, em mal-entendidos, em coisas que ficam por dizer,
em invejas e egoísmos, em despiques e disputas por coisas que não interessam absolutamente
para nada, especulações, falsos pressupostos e imaginações rebuscadas, ditos
por não ditos, rumores e boatos, acabei por criar uma barreira em que prefiro não me dar- a qualquer um/a. Isto do deve e do dever tem muito que se se diga. Deste modo acabo por me isolar e ficar um pouco sozinha, mas pelo menos não tenho ninguém a apontar-me o dedo e muito menos a cobrar-me nada (que é o que eu acho que a maior parte das pessoas, eu incluída, acabamos por fazer demasiadas vezes e nem sempre no contexto certo e quase sempre na hora errada). Mas não nos podemos esconder para sempre e todas as escolhas que fazemos têm um preço a pagar. Protego-me para não me magoar e no entanto, sem me aperceber porquê, continuo sempre a sair magoada. Valham-me os
"estranhos conhecidos" que diariamente me surpreendem por quase sempre
"estarem" no sítio certo "à" hora certa e dizerem as coisas mais
acertadas.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Meu querido mês de A(i) gosto, gosto ! parte II
Feira anual da Zambujeira do Mar, vista através duma canon 550 D e registada por mim. Para o ano há mais....
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