Não há sítio mais comovente que as partidas e chegadas nos aeroportos, esses espaços gigantescos, onde todos os dias há um misto de alegria extrema e de tristeza desconcertante, entre sentimentos montanha-russa. Aqui os afectos são totalmente expostos entre multidões de estranhos e absolutamente genuínos entre aqueles que se amam. Afinal estamos a sair ou a chegar da ou à nossa casa. Sempre que vou ao Aeroporto emociono-me, ao assistir ás despedidas e aos reencontros dos outros, em momentos de fragilidade que os desarmam e me comovem. Nunca me irei esquecer do dia em que recebi de braços abertos a minha irmã, depois duma longa ausência no estrangeiro que só larguei porque iria pela primeira vez conhecer a minha querida e primeira sobrinha recém nascida. Foi ali que de lágrimas a escorrerem, os nossos olhares se trocaram e conheceram e sorriram de imediato. E nesse instante era só eu e ela e tenho a certeza que até o tempo parou. Dizem que o aeroporto é um não-lugar, um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade, um lugar de viajantes solitários num espaço que não é de ninguém, no entanto é tão cheio de Amor...
domingo, 30 de setembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A inveja é uma coisa muito feia #
Durante vários Natais, lembro-me da minha mãe me oferecer uma caixa de guaches ou aguarelas, pincéis e papéis texturados, que ainda tenho preciosamente guardados numa caixa. Nunca tive a ousadia e coragem de os abrir, pois nunca tive o jeito e a facilidade da da minha mãe e da minha avó para pintar, com muita, mas muita pena minha. Aliás, desenhar para mim continua a ser penoso e frustrante, pois das minhas mãos não sai nada do que me vai na cabeça . E quando vejo trabalhos, como o desta ilustradora fico mesmo com pena de não me conseguir expressar - é que se eu conseguisse, era assim que utilizava tudo o que lá tenho guardado.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Bons velhos tempos
Sou uma saudosista. Há quem diga que seja uma negação duma realidade dolorosa, mas na verdade vibro com histórias e imagens dos outros tempos, onde parece que o tempo tinha tempo e fazia-se tudo com tempo. Olho com ternura para estas imagens, com apenas 60 anos de distância e vejo tudo aquilo que lhe falta agora: tempo.
Reportagem fotográfica de um nevão sobre
Lisboa, nos anos 50, da autoria do
Estúdio Horácio Novais, que pode ser vista na Biblioteca de Arte-Fundação
Calouste Gulbenkian.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Amigos pelo mundo
Inspirado na série televisiva: portugueses pelo mundo e pela actual situação económica-financeira-crisetostófica que tem levado, cada vez mais jovens e amigos a ter que deixar o nosso país em busca de (melhores) condições de vida, venho aqui propor-lhes um desafio: Escolham um dia e reservem-no para mim - quero saber e ver tudo, o que vêem e quem vêem, o que ouvem, o que comem, o que fazem. Apenas precisam de tirar umas poucas fotografias que devem ser acompanhadas com um pequeno apontamento escrito que relate o vosso novo quotidiano, por aí e longe daqui. Em breve serão intimidados, topam?
Slides + máquina de lavar + processo x =
Aqui está mais uma técnica que me prendeu logo a atenção, dados os efeitos das fotografias. O fotógrafo é o Jalonen Kristian e a técnica é chamada de "Do The Dishwasher" e tudo o que é preciso é um filme de slides de 35mm (ele utilizou sensia 200) e uma máquina de lavar louça. Os resultados são efeitos marados de cores uma vez que é utilizado o processo cruzado. Eis a receita de como preparar o filme antes de disparar:
- Coloque o rolo na máquina de lavar louça no "ciclo de lavagem normal".
- Quando acabar o ciclo, coloca-se o filme em água corrente fria (gelada de preferência) durante um par de minutos
- Para a última etapa, que pode ser um pouco difícil, é necessário estar numa sala completamente escura. Retire o filme de sua caixinha (o filme deve estar pegajoso ) e seque-o completamente com um secador de cabelo cerca de 10 minutos.
- Depois de seco, enrola-se o filme para dentro da caixinha e está pronto a disparar!
- Depois de seco, enrola-se o filme para dentro da caixinha e está pronto a disparar!
Não importa quantas vezes se expõe o filme,depois é revelá-lo em processamento cruzado e os resultados podem ser mais estes. Acho que vou arriscar...
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Pior cego, é aquele que não quer ver
Bem sei que não temos nada que ver com o que
as outras pessoas fazem ou deixam de fazer, com as suas escolhas e estilos de
vida que levam, mas lá no fundo todos temos uma (ou mais) opiniões sobre tudo e
mais alguma coisa. Não temos o direito de fazer juízos de valor, mas é mais
forte que nós não julgar…todos o fazemos a toda a hora e não me venham cá com
falsos pudismos. Por um lado gostava de não ter um filtro bloqueador tão grande
que me impede de chegar ao pé de alguns amigos ou conhecidos e ter a coragem de dizer que aquilo
que estás ou vais fazer é um perfeito disparate, mas por outro todos sabemos
que há um limite na esfera pessoal de cada um de nós, que tem que ser visto e
percebido como um todo. Todos coscuvilhamos e falamos nas costas uns dos
outros, mas se por um lado há coisinhas que não interessam a ninguém, há outras
que me fazem mesmo confusão e ás quais não consigo ficar completamente
indiferente. Há os apaixonados que estão demasiado cegos para perceber que há
limites para tudo sobretudo para a sua dignidade enquanto indivíduo, aqueles
que estão agarrados a comprimidos que só os deixam entorpecidos duma realidade
que não se resolve por si, os aventureiros inconsequentes que mal saíram duma
atiram-se de cabeça para outra sem sequer deixarem os lençóis arrefecer, os que
fazem tantas projecções para o futuro que nunca chegam a viver bem no presente,
os que só vivem para mostrar aos outros tudo aquilo que afinal não são, os que
vivem vidas duplas (in)conscientemente enganando aqueles que, são supostamente
os que os amam incondicionalmente, os que estão tão revoltados com o mundo que só
reagem com aspereza e negativismo, os que vivem acima das suas possibilidades
mas que continuam a queixar-se, os que não conseguem cumprir compromissos, os
que não percebem que por tudo quererem continuam de mãos vazias, os que só vêem
problemas em vez de particularidades, aqueles que merecem muito mais e melhor
mas que se contentam com aquilo que têm, sabendo de antemão que não é o os faz
mais feliz, os que só estão à espera do momento certo para viver na sombra da
bananeira, que é como quem diz à conta dos outros, os neuróticos que vivem para os detalhes e quando algo está fora do sítio é o fim do mundo, os que não se conseguem
libertar do passado e muito menos arriscar no futuro, os que são muito mais
interessantes quando estão sozinhos e se “transformam” quando estão em grupo, aqueles
que só conseguem falar utilizando sarcasmo e ironia, os que têm um ego
demasiado grande, maior que eles diria, os que se movem pelo que o outro diz ou
faz, os que estão tão centrados em si que nem se apercebem nem valorizam os
pequenos gestos dos outros, os que se
deixam levar pela inveja e pelo ciúme e pela raiva e pela vingança, os que mantêm relações fracassadas , os
que só conseguem ter uma data de filhos porque têm uma data de dinheiro, os que não conseguem relaxar, os que só se conseguem projectar no futuro, mas sobretudo aqueles que voltam a cometer os mesmos erros.
Chamem-me cobarde e se calhar com toda a
razão, mas ás vezes nem sempre é fácil chegar à razão e ao coração de algumas
pessoas, e basicamente eu estava a precisar de descarregar de problemas que não
sendo meus, não têm que me consumir. Para quem consegue fazer ver aos outros
aquilo que quase ninguém tem a coragem de dizer, o meu grande bem haja!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Como é que não me lembrei disto antes,
Duas instalações simplesmente lindas e que me encheram de sorrisos, desejos e vontades...
Machine à Turlute from Daily Tous Les Jours on Vimeo.
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