Não sou boa com
números, nem palavras. Utilizo as frases-feitas e os morais de história como
amuleto. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Tenho a mania da perseguição. Almejo o quase
impossível. O meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me
complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Não sou
fácil. Não colecciono inimigos e muito menos amigos. Quase nunca estou para
ninguém, porque quase ninguém está para mim, apesar de estar atenta a tudo e a todos. Mudo de humor conforme a lua e
irrito-me facilmente. Não me interesso à toa, mas quando me pisam desisto de me
interessar. Amuo quando me ignoram. Trago o desassossego dentro de mim e um par
de asas, que nunca deixo. Às vezes, durante o sono, procuro as respostas que
não encontro aqui. Ontem perdi um sonho e acordei angustiada. Sorri e depois
chorei. Mas é a vida e sei, acima de tudo acredito, que um dia e quando menos
estiver à espera, eu vou chegar cada vez mais perto que quem na verdade sou. Querem um desafio ? Experimentem tentar conhecer-me....
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
FazTuMesmo #
Enquanto o jantar estava ao lume, resolvi pegar nas rolhas guardadas + no canivete e esculpi estes lindos carimbos. Mais rápido, mais fácil, mais barato e mais personalizado, impossível !
O que quer dizer virgem, mãe?
A partir de que idade será inevitável ter que responder ás perguntas mais inconvenientes da minha criança? é que ela com 3 anos já dá risadas quando fala em pilinhas. sendo que no outro dia já fez uma observação que me deixa até agora corada....Se não fosse esta herança católica, que está (ainda) entranhada falar sobre a sexualidade deveria ser tão fácil como da afectividade. Mas seja o que for e quando for tenho a certeza que me vou safar, sem me envergonhar e de certeza que não a vou traumatizar.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Não me importava de viver aqui #
Do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, na casa desta estilista e dona de uma loja de artigos vintage e ter um terraço assim...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Um segundo
Acontece-me de quando em vez, ficar especada e embevecida a olhar por instantes infinitos para a minha filha e perguntar-me: como é possível ? É mesmo toda minha, só minha? é que é tão perfeita, tão linda, tão inspiradora, tão pai, tão mãe e tão única...Derreto-me com cada detalhe seu, o cabelo encaracolado, as expressões faciais do maroto ao doce, a sua voz e as gargalhadas estridentes, a pele e o toque mesmo que seja toca e foge, os seus jeitos e trejeitos , o seu cheiro, as suas mãos que ainda cabem nas minhas, o buraquinho que tem na orelha que nasceu com ela, as conversas que tem e as histórias que inventa. Amo-a acima de tudo e todos e é isso que temo ter que dividir quando penso em ter um segundo filho, é uma tolice, eu sei. Desde sempre os casais têm muito mais que um só filho e amam certamente a todos de forma diferente mas incondicionalmente. Mas ela é tão única e ainda tem tanto para me mostrar e ensinar, que não quero perder nem um bocadinho. A verdade é que também tenho algumas saudades de quando ela era tão pequenina e tão ligada incondicionalmente e fisicamente a mim- ser mãe pela primeira vez consegue ser bastante frustrante e ligeiramente ingrato. Consigo-o ver agora, pois olhando para trás percebo que o tempo passou demasiado rápido, cheio de dúvidas e preocupações que se calhar tinham pouca importância e que condicionaram sem duvida a minha relação com o resto do mundo (que na fase inicial parece inexistente e tão distante) e consequentemente a minha relação com ela, a minha bebé, que já é uma menina. A sério , gostava tanto que o tempo voltasse para trás, que eu não tivesse tido tanta pressa para que esta ou aquela fase passassem a outra, que eu tivesse gozado de modo mais tranquilo o começo da maternidade, que eu não me tivesse perdido entretanto. Não queria ter outro filho, preferia antes voltar a ter a minha. Como não é possível, claro que gostaria de ter outro filho, por estes e muitos outros motivos, mas as dúvidas são tantas e as respostas tão pouco claras que tenho medo e pior, já quase não tenho idade (sim porque a idade é importante digam o que disserem. Primeiro ela foi um bebé tão, mas tão bonzinho que acho nunca teria a mesma sorte com um segundo. Depois há toda a situação económica e social actual e futura que não permite grande margem de manobra para educar e alimentar outra criança . Por outro lado não sei se tenho forças para voltar a passar por tudo de novo, mesmo que desta vez seja mais fácil. Depois, queria tanto reviver uma gravidez e um parto, sobretudo que o pai pudesse desta vez estar a meu lado a dar-me a mão, a consolar-me e a chorar de alegria comigo. Por outro lado a autonomia em voltar a ser gente, a pessoa com algum tipo de vida social, que só agora reconquistei, não me apetece voltar a perder. Depois as tristezas e alegrias seriam sempre a dobrar e isso tanto tem de mau como de bom. Por outro lado ela , sobretudo com a personalidade vincada que tem, precisava mesmo de ter companhia à altura
e não um pai macaco e uma mãe palhaça e não é só para se entreter agora
é sobretudo para o futuro, para partilhar uma vida até ao fim, sempre
acompanhada. Depois fica sempre a pergunta, e como seria o outro, rapaz, rapariga, mais parecido com o pai ou com a mãe? Talvez devesse pensar menos, mas não, ter um filho é o maior acto de coragem, responsabilidade ,certeza e Amor. E isso só se percebe depois de ser Mãe.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
25 Outubro 1949
Hoje o meu pai faria, só, 63 anos. Mas morreu mesmo antes de chegar aos 50, mesmo antes de nos ver crescer, mesmo antes de ouvir tudo o que ainda tinha para lhe contar, mesmo antes de perceber que na vida não se ama só uma vez, mesmo antes de o conseguir ajudar, mesmo antes de saber que as suas fraquezas me tornaram muito mais forte, mesmo antes de conhecer o grande amor da minha vida, mesmo antes de conhecer as luzes da minha vida que são as suas netas, mesmo antes de ver as minhas obras feitas, mesmo antes de me conhecer, mesmo antes de partilharmos uma vida, mesmo antes de te dizer: Amo-te.
Um dia # (pode ser amanhã?)
A culpa não é do Outono, mas dos
dias que encurtam e ficam mais cinzentos e frios. Seja o que for, é costume esta
altura do ano despertar em mim sentimentos contraditórios que me confrontam com
tudo aquilo que gostaria de ser e de fazer. São demasiadas vontades, sonhos e
desejos, deixando-me igualmente feliz mas também um pouco deprimida e
perdida…Ando naturalmente mais sensível e intrometida nos meus pensamentos
confusos, tentando descobrir o segredo para o meu equilíbrio. Se não pensasse muito
e deixasse que fossem as minhas vontades a guiar, só queria poder sair daqui de
quando em vez, perder-me nos xistos e nos riachos, nas florestas e no barro,
nos velhos e nos novos, nos prados e no silêncio, no sujar as mãos e em andar
descalça, na horta e nas conversas, em cozinhados e lãs e bordados, nos tanques
e nos pomares, na lareira e simplesmente estar enrolada contigo sob a manta de
retalhos, nos sons dos vinis riscados e a contar-lhes histórias, nos baloiços
improvisados e em cima da carroça, nos cheiros da nossa terra, doces e
salgados, nos contos e saberes tradicionais, nas cores do Outono, nos moinhos
de pão e de água, nos bons dias, boas tardes e boas noites, sentidos…Queria não
estar aqui, estar aí contigo e com os nossos filhos, quando o tempo deixasse de
o ser. Queria estar aí. Na minha terra, na terra de ninguém, na terra que não tenho. Se eu tivesse, se eu pudesse, se eu conseguisse, se eu não
pensasse. Vou,
vamos, um dia destes...?
Bernardo Sassetti- Epílogo: Amanhã
Subscrever:
Mensagens (Atom)








