quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dualidade ondulatória cospuscular


Eu queria que a Laura tivesse um irmão. Não quero é ter outro filho.

Foto tirada por mim com Yashica TL electro X + Kodac200 / validade2006

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

strangers in the park

No fundo todos olhamos para o lado e não só opinamos como julgamos tudo o que se passa á nossa volta. Não é necessariamente certo ou errado é simplesmente uma  manifestação duma ideias a respeito de algo ou alguém. Eu sou bastante observadora e até tenho a capacidade de ver e ouvir e perceber várias coisas à minha volta (tenho a certeza que alguns dos meus feelings já me pouparam de situações desagradáveis) e consequentemente é natural que forme uma opinião e ás vezes (e sei que nem sempre devia) alguns juízos de valor. Mas na maior parte das vezes aquilo que constato são curiosidades de como o ser humano consegue ser tão estranho e contraditório. Vou dar um pequeno exemplo. Ontem no parque infantil chegou uma vizinha que tem um miúdo com uns 4 anos e dizia-lhe severamente que não deveria andar no escorrega maior. No escorrega onde a minha filha começou a tentar subir mesmo antes de começar a andar e que já sobe e desce e empoleira e balança como acho que é natural que uma criança da sua idade o faça (quem me dera lá caber). A parte do curioso é que esta senhora acha "perigoso" o seu filho brincar num equipamento infantil- que se tem que ensinar a utilizar- mas ir tomar café com ele à noite na rua a horas impróprias,porque os vejo e oiço a chegar,  não deve ser.... sei que não tenho o direito nem o dever de julgar, mas sei que todos o fazem dum modo ou outro. Mas mais, acho que todos falássemos mais uns com os outros, trocássemos ideias e experiências e opiniões, nos mostrassem mais vezes o nosso reflexo ao espelho, talvez nos ajudasse a relativizar a nossa tolerância e a importância ou não de algumas coisas. Seria certamente uma ajuda preciosa, não fossem as pessoas tão cinzentas e orgulhosas e ofendidas...Pois eu já me me diverti imenso a ter uma conversa super informal e íntima com uma estranha, nesse mesmo parque, que só teve bons efeitos: rimos imenso das tolice das nossas fraquezas (algumas mais passageiras que outras), ficámos mais próximas e ajuda-mo-nos mutuamente. Estamos cada vez mais fechados nas nossas vidas e achamos que a realidade é a ficção da televisão , internet e redes socias, alienando-nos e projectando em tudo e todos as nossas frustrações e ambições. Deixe-mo-nos de desculpas: Falemos mais, especulemos menos, partilhemos mais e presumamos menos.  Ninguém é perfeito e eu muito menos, mas podemos todos tentar  ser um pouco melhores.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Grito pela rua

Sempre achei estranho como é que num país como o nosso, cheio de sol e temperaturas amenas, as pessoas não vivem mais na rua. A sério que não entendo como as únicas crianças que ficam no parque infantil até depois do sol de por são basicamente estrangeiras. Como também não entendo como não existem esplanadas em cada esquina e colina. Não entendo como os nossos parques e jardins não se enchem de pic-nics aos fim de semana e muito menos entendo porque não existe por cá comida de rua...Em qualquer cidade da europa, mais fria, chuvosa e cinzenta vê-se tudo isto e muito mais. Bem, não foi isso que agora me trouxe aqui (agora), foi mesmo só partilhar duas coisas que encontrei por acaso hoje mesmo e que no fundo se fundem. Um artigo intitulado Portugal está a gritar por comida de rua :“Há tantos mercados com produtos de alta qualidade, bastava começarem a aparecer alguns espaços dentro dos próprios mercados” e as bonitas imagens dum mercado algures do outro lado do mundo o Matakana Farmers Market, na Nova Zelândia, onde isso acontece. Não tem tudo um lugar tão delicioso? Hum....tive uma ideia (ASAE não me leves a mal, mas comida saudável no jardim é fundamental)


sábado, 12 de janeiro de 2013

Sombras de alguém #


E assim de repente e para além de nós os dois e de alguns amigos que também já se apaixonaram por este projecto- Sombras de Alguém, surgiu o interesse de alguns jornais em partilharem a ideia, as palavras e as imagens. Primeiro foi o jornal i, que dedicou duas páginas na sua edição impressa e hoje saiu o artigo no P3 do jornal Público. Fico mesmo feliz sobretudo por acho que vai impulsionar o menino Filipe a meter cá para fora todos seus projectos pessoais e que a meu ver precisam mesmo de sair da gaveta e merecem ser colocados pelas paredes.Quanto a mim, que sou uma fervorosa apaixonada pelos mistérios que fazem parte do passado e das histórias que cabem dentro dele, imaginem a minha alegria quando nos continuam a chegar máquinas com rolos perdidos e depois a emoção em descobrir neles algumas fotografias verdadeiramente belas e emocionantes. Sejam a cores ou a preto e branco, há verdadeiros alguns de família perdidos por aqui, se alguém se encontrar, avise-nos. Eu gostava de me encontrar por aí....


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O que é nacional é (tão) bom

Eu se calhar ainda não vos disse, mas sou super fã da Sara, que descobri através do seu (e da Patrícia) projecto  Mirror Cities. Sendo eu uma apaixonada por fotografia e viagens , podia ser  natural, mas neste caso até é mais que isso, porque eu acho as fotografias delas duma beleza tão singular e natural que até irrita (no bom sentido, está claro).  Ainda este Natal já o tinha mencionado como um dos presentes ideais , mas o tempo e o dinheiro passou até que quando não consegui resistir já não haviam mais calendários 2013 com imagens da grandiosa viagem pelo Transiberiano. O de Londres também não se ficava nada atrás e até acabou a ser ele que me salvou o dia, aliás os dias: o dia em que soube que afinal ainda havia um para mim e o dia em que o recebi, escondido em camadas cada uma mais deliciosa que outra. Tanto, que não resisto em partilhar (a minha morada foi apagada por motivos óbvios por e para mim):

Falta aqui a fotografia do calendário no seu lugar, no meu canto, que prometo mostrar brevemente. Até lá e aproveitando os portes de envio grátis até Domingo, não deixem de espreitar a sua loja. E comprem  vá, que a miúda bem merece ! Obrigada.


Livro de reclamações #

Acho que só os meus amigos que costumam ler diariamente este tipo de blogues (#1 sim eles existem e são seguidos por centenas de fãs #2refiro-me aos os ditos vídeos do momento e sim acho que é importante referir Todos, porque para mim o menos grave é a dita mala) é que não se indignaram hoje pelas redes sociais, essas marotas que hoje em dia são a culpa e desculpa para quase tudo....

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Se eu tivesse tempo #

Lia sem interrupções, lia do princípio ao fim sem que entre um e outro se passassem demasiados meses ou mesmo anos...

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
por não estarem distraídos de Clarice Lispector
a tradução é português do Brasil, mas isso agora pouco ou nada interessa ....<3