Tenho uma paciência dos diabos, mas também tenho os meus dias e hoje é um deles , e não, não é mentira (antes fosse). Por várias vezes penso se estou onde deveria estar e quase sempre acredito que sim. Tenho uma sorte do caraças em ter a meu lado o melhor dos melhores, pai e namorado. Eu acredito que tanto um como outro temos precisamente os mesmos deveres e obrigações na criação e educação dum filho , independentemente dos empregos e horários que tenhamos. Tudo deve ser partilhado e não há cá desculpas para nada. Se é à mãe que cabe a tarefa , de nos primeiros tempos dar de mamar e segurar as dores do corpo (que carregou durante 9 meses ) e as malditas hormonas, então é o dever do pai encarregar-se das fraldas e dos arrotos e dos banhos. E por aí em diante....Bem sei que cada um tem a sua dinâmica familiar , mas para mim o caos, a confusão e o desequilíbrio nas tarefas não é saudável e muito menos justo para todos. Nem todos pensam assim, por isso digo que tenho sorte, por nem ser preciso discutir com ele estas dinâmicas, estamos em sintonia (pelo menos e a 100% no essencial). Na minha cabeça , por exemplo não existe lugar para um de nós ir trabalhar para outra parte do mundo. Mesmo que seja para ganhar rios de dinheiro. Mas isto do Amor só aqui faz sentido porque é aquilo que me mantém em pé particularmente hoje. O dinheiro não é tudo, mas por acaso hoje até é. Todos nós temos os nossos limites e hoje cheguei de novo ao meu. Já aqui volto. A outra coisa que se calhar importa dizer é que tanto eu como ele trabalhamos juntos e mesmo estando praticamente 24 horas por dia juntos,conseguimos e muito bem distinguir as coisas e mais importante não nos desgastar-mos. Só pode ser porque ele é mesmo o tal. Depois o dito trabalho. Aquele que já tantas vezes quis mandar à merda... pelas injustiças, pela insatisfação, pela frustração. Mas quando páro para pensar na sorte que tenho em ser criativa e sobretudo ter um horário super flexível que me permite viver. Isso não tem um preço , é verdade....Quem é que se pode deixar dormir até horas decentes, levar a miúda a pé para a escola que fica a 500 metros de casa, ir com calma para o trabalho pelas 10 horas e sair antes das 17 e ir com calma buscá-la para passar o resto da tarde no parque ? Eu, lá está, desde que ela nasceu. Depois temos a sorte de conhecermos cada vez mais pessoas incríveis que têm tudo a ver connosco e que nos fazem sentir bem, mais completos. Estou onde deveria estar, sem dúvida. A questão é que vou levando esta vida de forma mais ao menos descontraída acreditando que isto sim é qualidade de vida, mesmo que recebendo o ordenado de um modo um pouco desequilibrado nos últimos dois anos. A questão é que tudo tem um limite e hoje cheguei ao meu e tudo por causa do maldito dinheiro, sim, esse malandro que serve para sobrevivermos e pagarmos as malditas contas que não esperam como nós temos que esperar... Hoje é dia 1 de Abril e ainda não recebemos os ordenados (sim o meu e o dele) de Fevereiro e Março e depois de mais uma série de atropelos e mentiras tenho a certeza que só para o início da semana que vem é que devemos ver a cor do dinheiro. E por muito forte que queira ser e mostrar-me e levar a vida dum modo desprendido e descontraído, tenho um limite. E não é por também estar grávida, é porque os atrasos não têm um prazo e sobretudo estão rodeados de mentiras. E com o nosso trabalho e o nosso dinheiro, não se deveria brincar. Porque tudo tem um limite e eu hoje cheguei ao meu. O meu limite é a mentira. a cobardia também, mas não são elas e as palavras bonitas que me pagam as contas....