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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Intervalo = recreio

Por aqui estamos só a precisar de arrumar ideias e gerir este tempo que nos foge e que não chega para tudo e todos...Apesar de puder parecer, eu não ando a perder tempo , mas sim a tentar ganhá-lo, multiplicando-me por onde consigo e não a dividir. Tudo agora são letras e sons e sílabas e imagens e números e formas e feitios. Os defeitos também exigem ainda mais de mim e contra eles, estudar e testar , mas sobretudo brincar , brincar !

mas hoje, pelo menos, já vou dormir um pouco mais tranquila...o dever está a ser cumprido.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Telegrama

Estou por cá stop apesar da minha cabeça não estar stop tenho tido muito em que pensar stop resta-me pouco tempo para parar e o conseguir explicar stop tenho demasiadas coisas para fazer stop Paris não me sai da cabeça (temos finalmente alojamento!) stop e outra grande dúvida tem-me tirado o sono stop melhores posts virão stop " jusque ici tous vas + -"

imagem retirada dum dos meus blogues preferidos, que ainda fotografa e muito com as Polaroids e que até esteve em Paris no verão passado. É impossível não ficar empolgada...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mudanças, ponderam-se

Sempre que estou de férias coloco-me a mesma questão: seria capaz de largar a agitada vida da metrópole para uma vida mais tranquila no campo à beira mar? Seria capaz de ser feliz durante todo o ano ali? as respostas são muitas e sobretudo trazem ainda mais perguntas com elas. É claro que estar de férias é um parêntesis ao quotidiano e por isso não vimos contrariedades em quase nada o que não é real. Viver no campo é duro e não é para todos. É solitário em todos os sentidos e há quem , como eu , que talvez não esteja preparada para passar 24 horas consigo própria, se é que me faço entender. Há também a questão da educação da miúda, dos serviços mínimos, de haver alguma diversidade cultural, de existir trabalho para mais 1 + 1 arquitectos, de ficarmos longe dos nossos e de não ter o seu precioso apoio. Sempre achei que era uma ideia para a qual não estou preparada e que no fundo sempre culpei ao excesso e á minha cobardia. Afinal vejo famílias felizes a viverem no campo, as que sempre lá nasceram e cresceram e as que para lá se estão a mudar e depois pergunto-me: e porque não? se há quem recomece do zero eu também posso. Afinal o que me prende aqui de tão importante? A segurança já não é, as certezas também não, a educação já não é o que era, os cuidados de saúde muito menos, a proximidade e o fácil acesso a tudo já têm muito que se lhe diga (primeiro porque a internet leva tudo a toda a parte e depois porque os espaços físicos estão a deixar de o ser...) Estou desapontada e sobretudo desiludida, porque acho que esta cidade que tem tudo para ser excepcional está a degradar-se a cada mês que passa e mesmo que haja alguns cheios de boa vontade e maravilhosas ideias para fazer a diferença, na verdade não conseguem ( e se é por causa da burocracia e falta de dinheiro ai como eu vos entendo). Há demasiado stress, sem haver razões para tal. Parece que há muitas coisas para fazer, mas afinal não há assim tantas e sobretudo não são para todos...Depois recordo-me que estive longe de tudo e desta agitação e com muito menos fui muito mais feliz. Pondero e chego realmente à conclusão que me preocupo demasiado com demasiadas coisas e pessoas que não merecem sequer que perca tempo a pensar nelas, consumo-me nas redes sociais e cedo e quebro ás pressões delas, perco-me na procura de encontrar algo que me preencha e encho-me de ideias supérfluas que só me confundem ainda mais, tento encontrar escapes enchendo-me de actividades quando se calhar a felicidade está mesmo na simplicidade e no despojo e no sossego e no silêncio.  Já me desisti de planear viagens porque na verdade não tenho dinheiro nenhum, mas não quero desistir da ideia de ter um pedaço de terra, com árvores e relva e água. Mas o custo desta vontade, nesta cidade é proibitivo e fora dela é o que todos têm por muito menos e lá me pergunto eu e novo, e porque não? acho que nunca tinha levado tão a sério este desejo de mudança e de um modo tão radical como o final de estas férias e o choque que foi regressar à realidade. Ideias e empurrões, precisam-se, quem se chega à frente?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

modo teenager meets midlife crises, ou serei mesmo assim?

Talvez me tenha induzido em erro quando no post anterior me referi ao facto de ser não ser uma pessoa de decidir coisas à ultima da hora. Claro que sou uma pessoa muito organizada e suficientemente metódica, mas que por vezes deixo sim os afazeres para a última da hora e até sou bem dada à imprevisibilidade própria da vida e dos desafios que ela me vai colocando em frente. Sou de agir sob impulso e reajo quase sempre quando me tocam em certos e determinados pontos. Para o bem e para o mal.  Claro que há fases e momentos para tudo e como no outro dia confessei a uma amiga sou bem capaz de me ter deixado acomodar durante demasiado tempo, ao qual ela prontamente me respondeu, mas o importante é que percebeste e mudaste enquanto ainda era tempo. Acho que a dada altura gostamos de ter as coisas sob controle e apreciamos o conforto e a estabilidade, mas é importante não nos deixarmos estar e ficar. Há que ser imprevisível e arriscar e se tiver que ser mudar e recomeçar. A nossa felicidade e grandeza é proporcional ao modo como nos levantamos depois de cair. Gosto de ter as coisas controladas, mas sou por natureza uma pessoa aventureira, demasiado bem domada e domesticada, ao mesmo tempo quem sou bastante decidida e razoavelmente teimosa. Quando meto uma coisa na cabeça sou miúda para que, demore o tempo que demorar, consiga o que quero de forma destemida.  Isto para também dizer que se eu tivesse menos uns anitos e um pouco mais de dinheiro era rapariga para cometer muita "loucura"...e voltamos a cena do em modo teenager meets famosa midlife crises. Sou eu sim, desde que me conheço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

(trust me) i'm an architect

Sou arquitecta de profissão e apesar de exercer há mais de 10 anos ainda não sei tenho a certeza que seja a minha vocação...Tive que escolher pouco antes de ter 17 anos ( sabia lá eu e sabe-se lá com esta idade o que é a vida) e é no fundo uma decisão demasiado importante que acaba por condicionar o nosso rumo. Fui porque os testes Psico-técnicos mo indicaram e porque na minha família acreditavam realmente no meu dom para as artes. Continuo sem saber e aliás não conseguir e saber desenhar (elemento que considero e sempre considerei crucial para a minha profissão) é uma frustração que me assiste há muito, muito tempo. A minha insegurança aumentava com o passar dos anos e mesmo depois de ter, com muito sacrifício, terminado o curso (acreditam que de vez em quando ainda sonho que me falta fazer uma cadeira- estática/estruturas?!) nunca esperei ter tido a sorte  (sim a minha estrela que me acompanha e me segura quando mais preciso) de encontrar tão depressa trabalho (mesmo antes de conseguir terminar o portefólio que tanta angústia me estava a criar). Dentro das inúmeras questões , preocupações e limitações afectas a esta área, continuo a ter alguma sorte: penso, projecto, executo e acompanho todo o processo de gerir pessoas e espaços. Orgulho-me de ser exigente e implacável e de me entregar sempre que um desafio que é colocado, mas depois é claro que há trabalhos e trabalhos, há clientes e clientes, há liberdades e "liberdades"... descobri no entanto a minha grande paixão, aquilo que me deixa imensamente preenchida e feliz e que justifica aquela escolha tão inconsciente. Aldeias cheias de história, vilas perdidas e abandonadas, infraestruturas genuínas, comunitárias e populares e torna-las num lugar para todos, os que lá estão e os que as devem visitar e respirar...


Agora o bom, mesmo bom é conseguir explicar aos senhores do "papel" que as boas ideias têm é que sair do papel...Por agora continuo a idealizar e espero em breve mais poder partilhar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Se eu tivesse tempo #

Lia sem interrupções, lia do princípio ao fim sem que entre um e outro se passassem demasiados meses ou mesmo anos...

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
por não estarem distraídos de Clarice Lispector
a tradução é português do Brasil, mas isso agora pouco ou nada interessa ....<3

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Slides + máquina de lavar + processo x =

Aqui está mais uma técnica que me prendeu logo a atenção, dados os efeitos das fotografias. O fotógrafo é o Jalonen Kristian e a técnica é chamada de "Do The Dishwasher" e tudo o que é preciso é um filme de slides de  35mm (ele utilizou sensia 200) e uma máquina de lavar louça. Os resultados são efeitos marados de cores uma vez que é utilizado o processo cruzado. Eis a receita de como preparar o filme antes de disparar:

-  Coloque o rolo na máquina de lavar louça no "ciclo de lavagem normal".
-  Quando acabar o ciclo, coloca-se o filme em água corrente fria (gelada de preferência) durante um par de minutos
- Para a última etapa, que pode ser um pouco difícil, é necessário estar numa sala completamente escura. Retire o filme de sua caixinha (o filme deve estar pegajoso ) e seque-o completamente com um secador de cabelo cerca de 10 minutos.
- Depois de seco, enrola-se o filme para dentro da caixinha e está pronto a disparar!



 Não importa quantas vezes se expõe  o filme,depois é revelá-lo em processamento cruzado e os resultados podem ser mais estes. Acho que vou arriscar...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Se eu tivesse tempo,

Assim que vi estas imagens, fui projectada para a minha infância, para um lugar onde fui mesmo feliz: As sessões de cinema feitas lá em casa, tenho impressão que pelos meus anos. No quarto chegava-se tudo para um lado, metiam-se cadeiras e bancos corridos virados para a grande parede branca, faziam-se bilhetes e pipocas, ligava-se a máquina de projectar das fitas (super 8mm), desligava-se a luz e lá estavam eles, o Bucha e o Estica e nós a rir à gargalhada .... Esta versão para mais crescidos,ao ar livre, num jardim, num final de tarde como o de hoje, parece-me simplesmente divinal.

Se eu tivesse tempo, organizava momentos inesquecíveis como este...