sexta-feira, 14 de setembro de 2012

uns saiem para comprar, outros para gritar



Eu sei, muitas das vezes falo primeiro e só depois penso depois. Eu sei, não somos todos iguais. Eu sei, não se deve meter tudo no mesmo saco. Eu sei, não se deve generalizar. Mas não consigo, não estar profundamente indignada e chocada com aquilo que acabei de assistir- nota importante: sobretudo nos tempos que correm, que é para não me acusarem já de ser preconceituosa. Não, não me refiro á entrevista do PM, que nem preciso de ouvir para saber que vai ser mais do mesmo e onde basicamente ele só está a falar para se ouvir, em vez de falar para mim e todos nós. Eu sei, nem tudo o que parece é. Refiro-me a um acontecimento da moda, que está neste momento a entupir as ruas do centro da cidade e aqui do bairro. Desculpem mas para mim é demais. Eu bem sei que não vem tudo ao mesmo, eu bem sei que quem pode, pode. Mas eu  quero (aliás, preciso) mesmo  de acreditar que estes milhares de pessoas  que andam aqui a passear nas ruas, de copo na mão e sacos na outra, entrando porta sim porta sim,  não sejam aquelas que se queixam diariamente ,  linkam todas as horas os textos do momento, que só falam em sair daqui e que dizem que vão á manifestação de amanhã, são os mesmos. É que não podem-é que para além de não lhes ficar bem, não combina…. Eu sei, não devemos ficar fechados em casa a lamentarmo-nos de tudo. Eu sei, o dinheiro precisa de circular. Eu sei, as pessoas precisam de trabalhar. Mas estas megas produções, com disco jokeys porta sim porta não, com bebidas a 5 euros, com acessórios e pechisbeques que até podem ser o máximo mas pouco ou nada servem e são (mesmo) caros, servidos nestes tempos tão conturbados, mas sobretudo hoje, choca-me. Eu sei, só está aqui quem quer e nem todos estão ao mesmo. Mas custa-me passar o dia a ler notícias e comentários de pessoas que estão a (sobre)viver no limiar do que é aceitável e depois á noite  ver todo este (pseudo) glamour. Na mesma cidade, no mesmo dia. Eu sei, e espero que não sejam as mesmas pessoas. Se forem, para além de estar tudo explicado só digo: tenham vergonha. Mesmo que não sejam, sinto-me mal por assistir a tamanha desigualdade social. Eu sei, há coisas que não se devem comparar. Mas hoje calhou e caiu-me mal. É que para mim, viver numa sociedade em que é o tudo ou nada, onde uns têm tudo e outros quase nada, é para mim perturbador e inconcebível...

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