Eu sei, muitas das vezes falo primeiro e só depois penso
depois. Eu sei, não somos todos iguais. Eu sei, não se deve meter tudo no mesmo
saco. Eu sei, não se deve generalizar. Mas não consigo, não estar profundamente
indignada e chocada com aquilo que acabei de assistir- nota importante:
sobretudo nos tempos que correm, que é para não me acusarem já de ser
preconceituosa. Não, não me refiro á entrevista do PM, que nem preciso de ouvir
para saber que vai ser mais do mesmo e onde basicamente ele só está a falar
para se ouvir, em vez de falar para mim e todos nós. Eu sei, nem tudo o que
parece é. Refiro-me a um acontecimento da moda, que está neste momento a entupir as ruas
do centro da cidade e aqui do bairro. Desculpem mas para mim é demais. Eu bem
sei que não vem tudo ao mesmo, eu bem sei que quem pode, pode. Mas eu quero (aliás, preciso) mesmo de acreditar que estes milhares de pessoas que andam aqui a passear nas ruas, de copo na
mão e sacos na outra, entrando porta sim porta sim, não sejam aquelas que se queixam diariamente ,
linkam todas as horas os textos do
momento, que só falam em sair daqui e que dizem que vão á manifestação de
amanhã, são os mesmos. É que não podem-é que para além de não lhes ficar bem,
não combina…. Eu sei, não devemos ficar fechados em casa a lamentarmo-nos de
tudo. Eu sei, o dinheiro precisa de circular. Eu sei, as pessoas precisam de
trabalhar. Mas estas megas produções, com disco jokeys porta sim porta não, com
bebidas a 5 euros, com acessórios e pechisbeques que até podem ser o máximo mas
pouco ou nada servem e são (mesmo) caros, servidos nestes tempos tão conturbados,
mas sobretudo hoje, choca-me. Eu sei, só está aqui quem quer e nem todos estão
ao mesmo. Mas custa-me passar o dia a ler notícias e comentários de pessoas que
estão a (sobre)viver no limiar do que é aceitável e depois á noite ver todo este (pseudo) glamour. Na mesma
cidade, no mesmo dia. Eu sei, e espero que não sejam as mesmas pessoas. Se forem,
para além de estar tudo explicado só digo: tenham vergonha. Mesmo que não sejam,
sinto-me mal por assistir a tamanha desigualdade social. Eu sei, há coisas que
não se devem comparar. Mas hoje calhou e caiu-me mal. É que para mim, viver
numa sociedade em que é o tudo ou nada, onde uns têm tudo e outros quase nada,
é para mim perturbador e inconcebível...
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