sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre a intransigência #

A maternidade tem-me ensinado muito, mas tem particularmente explicado e mostrado muito sobre quem eu sou e sobretudo quem fui. É que passado este tempo todo, algumas das peças que compõem a minha vida começam a ganhar forma, a tornarem-se nítidas e a encaixar. Durante anos vivi amargurada, invejando quem consegue recordar a sua infância, cheia de alegrias e detalhes,pois eu não me lembro de rigorosamente quase nada, a não alguns momentos menos bons, algumas pessoas e nomes em toda a minha infância e adolescência. Desde que me lembro de mim, lá por volta dos 15 anos, que procuro encontrar nas gavetas da minha memória o meu passado. Alguns dizem-me que essas memórias chegam mais tarde, eu temia em acreditar que se estavam escondidas é porque não tinham sido felizes. Agora percebo...Tem sido ao lado da minha filha, na convivência diária com ela  e a educa-la que algumas das sensações passadas despertam e agora percebo que se as memórias estão perdidas é porque é lá que devem estar, para me proteger. Agora temo continuar a procurar, porque tenho medo do que possa lá encontrar.  Agora tenho a certeza que amarei a minha filha acima de tudo e de todos e só espero ter, sobretudo em momentos de fraqueza e insanidade, todo o discernimento para nunca me esquecer de tal.

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