Eu sei. Devia ter muito mais calma. Mas nem
sempre consigo. Lidar com uma miúda cheia de personalidade e que pensa (e ás
vezes até consegue) que manda lá em casa exige de nós muito mais de nós, física
e psicologicamente, que alguma vez imaginei. Gostava de conseguir aplicar as
teorias, os métodos, os esquemas e artimanhas, mas nem sempre tenho força e
muito menos paciência e persistência para me manter a pessoa mais calma e menos
afectada do planeta. Não lhe cedo a caprichos, mas claro que ás vezes não lhe
consigo dizer que não- mas alguém consegue sempre??? Lidar com birras, aquelas que não têm mesmo
motivo nenhum, a meio da noite quando devíamos por fim estar a descansar, num
crescendo de raivinhas e surdez no meio de gritarias, é para mim um desespero.
Primeiro, por não perceber o que levou ao descontrolo, depois por não me
conseguir manter a calma ao final de minutos intermináveis a chorar e tentar
chegar de algum modo a ela e por fim por não perceber o que a leva a fazer
isto: é mesmo dela ou estarei a falhar em alguma coisa? Muito provavelmente são
os dois e seja como for, não estou a conseguir gerir este turbilhão de emoções
do furacão que consegue aquele ser angelical com apenas 3 anos.
Custa ainda mais perceber que só faz isto
connosco e um pouco, mas muito pouco, na escola. Seja como for dói muito
perceber que podemos (posso) estar a falhar na sua educação e sinto-me por
demais envergonhada. Custa-me assistir ao seu “desprezo” perante os miúdos que
a adoram e mesmo veneram, não conseguindo demonstrar na maior parte das vezes
carinho por eles. Quer estar na dela e não está para fazer fretes a ninguém e
isso magoa-me horrores. Não, não preferia ter uma “mosquinha- morta”, mas
também não precisava de ter alguém que me mostra todos os dias quão fraca eu
sou e que me realça todas as inseguranças. A minha pediatra diz que é só ter
paciência, falar-lhes nos olhos mantendo-nos sempre calma. No outro dia uma mãe
fez isso à Laura e resultou (quero acreditar que com o filho dela também não
resulta sempre). Eu também uso essa técnica que nem sempre resulta, sobretudo
depois de ultrapassar os limites do tolerável e aceitável – é que ninguém
aguenta (a não ser quem opte por ter outros a tratar dos filhos- que acredito
tem um preço muito alto a pagar mais cedo ou mais tarde) ! Não quero ter uma
filha mimada, mas também não quero ter
uma selvagem. Juro que tento fazer o meu melhor, tendo noção que muitas vezes
falho e cedo, mas ninguém merece passar por estas constantes provações. Se
manter a calma , ter muita paciência e não lhe ceder aos caprichos é a única
solução eu prometo esforçar-me ainda mais, senão alguém tem um plano B?
Ando a ouvir o livro desta senhora: http://www.amazon.co.uk/Calmer-Easier-Happier-Parenting-Revolutionary/dp/144472990X
ResponderEliminarDiz que ajuda em casos desses. A minha também tem umas raivinhas, cujo nível acústico vai crescendo com a idade. Diz que este método ajuda. Ainda só vou no capítulo 3, mas posso-te ir mantendo informada ;)